Projeções para o dólar passam pela inflação

Analistas também consideram PIB e mercado externo no cálculo

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A previsão de inflação para 2012 voltou a subir na semana passada, pela sexta vez consecutiva. O anúncio foi feito por meio do relatório Focus, elaborado pelo Banco Central em parceria com economistas do mercado, e divulgado na segunda-feira, 10.

A elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu de 5,53% para 5,59%, afeta diretamente a previsão de cotação do dólar que, para o próximo ano, foi estipulada em R$ 1,75. “As previsões são feitas considerando sempre um conjunto de informações. Não dá para pensar em aumento da inflação sem pensar no câmbio. Na economia, todos os pontos são entrelaçados”, afirma Cristiano Costa, professor de economia da Fundação Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças.

Costa explica que, para elaborar uma previsão de quanto estará custando o dólar em um determinado período, os analistas usam modelos estatísticos que levam em conta diversas variáveis, inclusive o fluxo de investimento direto de um país para o outro e a previsão da taxa básica de juros da economia.
 
O professor diz que, quando a taxa de juros sobe, atrai investimentos financeiros de estrangeiros que se sentem seguros para comprar reais e investir em títulos brasileiros. “Essa decisão faz nossa moeda se valorizar, pois aumenta o número de dólares em circulação no País”, explica Costa, que também é consultor do Instituto Millenium, no Rio de Janeiro. Já quando a taxa de juros cai, milhões de dólares deixam o País – o que faz o real enfraquecer. “Com a diminuição do fluxo de dólares no País, a tendência é que o câmbio se deprecie.”

Costa diz que o sistema financeiro está sempre em movimento e é todo interligado. “Por isso que itens como inflação, PIB e juros são sempre analisados quando as projeções do custo do dólar são feitas”, fala Costa.

Lá fora

Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria Integrada, de São Paulo, aponta que fatores externos são sempre analisados, quando são feitas projeções referentes ao dólar. “A economia brasileira tem pouco peso no momento em que essas análises são feitas. O que pode ditar a projeção de quanto o dólar estará custando é a incerteza na economia da Europa, que coloca pânico nos mercados”, avalia.

Lavieri ressalta que a indeterminação no cenário externo faz o dólar ganhar valor sobre praticamente todas as outras moedas, não apenas com relação ao real. “Não dá para fazer uma conta que indique um só número até o fim do ano. Acreditamos, por conta disso, que até dezembro o mercado vai se acalmar e com isso a cotação deve voltar a cair um pouco – o que fará a previsão mudar mais uma vez”, fala.

O economista diz que não existe um órgão que esteja fadado a nunca errar e existem alguns agentes fazem esse cálculo de forma posicionada. “Há quem faça projeções com o câmbio mais desvalorizado, já apostando que isso vai acontecer”, afirma.

Além do Banco Central, consultorias, gestoras de fundos, bancos comerciais e de investimentos também fazem análises e projeções do câmbio.


Ógui
Especial para o Terra

Comentários

ikPFxXDHolosXVHZRj diz:

15 de Novembro de 2011 ás 14:54

Now that's sulbte! Great to hear from you.