População urbana é maioria na China

Tendência é que o país estreite laços comerciais com o Brasil

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Pela primeira vez em sua história, o número de habitantes nas cidades chinesas é maior que o registrado nas zonas rurais. Segundo dados oficiais, o país mais populoso do mundo registrou em dezembro do ano passado 690,79 milhões de pessoas nas cidades, contra 656,56 milhões no campo – o que significa que 51% dos chineses estão vivendo em áreas urbanas.

Com mais gente nas cidades, a China vira um país urbanizado, o que contribui para o fortalecimento de seu mercado interno, segundo o professor Márcio Azevedo, especialista em relações internacionais. “A estratégia do governo é justamente aumentar internamente seu potencial de consumo, então, essa mudança é um bom indicador para a sua economia”, avalia.

O fato pode ser benéfico também para o Brasil, na opinião do professor. “A mudança demográfica não significa, necessariamente, que a China vai crescer mais e importar mais do Brasil, até porque a mudança é um resultado do crescimento de alguns anos para cá. Mas, há perspectivas de que esse crescimento se mantenha”, salienta.

Conexão Brasil e China

Com isso, o professor diz que a tendência é que os laços comerciais entre os países fiquem ainda mais estreitos, considerando o fato de que hoje o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities – fornecendo, inclusive, minério de ferro para a China, essencial para a construção civil.  

Azevedo aponta que é possível que já em 2012 essa ligação entre os dois países se amplifique, considerando, por exemplo, que há a perspectiva de que mais frigoríficos brasileiros sejam credenciados no mercado asiático – o que fará a pauta das exportações ganhar mais corpo. “Esse credenciamento provavelmente se dará em breve, porque a produção deles já não é suficiente para atender ao mercado interno”, avalia o professor.

Porém, esse estreitamento comercial pode demorar, segundo Leonardo Trevisan, professor de economia na graduação da ESPM, em São Paulo. “Achar que o crescimento urbano vai ser acompanhado de maior consumo, e que isso significa que as exportações brasileiras vão aumentar, é um pensamento otimista demais”, diz Trevisan.

Ele afirma que nada na China acontece de maneira automática e que tudo o que é exportado para aquela região acontece de forma complementar. “Nós temos que tirar da cabeça a ideia errada que diz que se cada chinês tomar uma colher de café do Brasil estamos a salvo. As coisas não são instantâneas”, destaca.  

Trevisan ressalta que a mudança demográfica não implica, necessariamente, no aumento de investimentos em infraestrutura. “Foi a intensa atividade da construção civil no país que produziu a urbanização, não o contrário. A China se empenhou na construção das casas, e por ter casas, urbanizou sua população”, fala.

O especialista em macroeconomia André Roncaglia, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), diz que o estreitamento com Pequim é pontual e se dá quando o Brasil atende às exigências chinesas oferecendo um custo acessível. “Nossa vantagem é a dependência que eles têm com o nosso minério de ferro, soja e carne bovina e de frango”, comenta.

Entre janeiro e novembro de 2011, o Brasil exportou US$ 40,6 bi à China, 43% a mais que no mesmo período de 2010. Os principais produtos foram minério de ferro, soja em grão e petróleo bruto, segundo o Ministério do Desenvolvimento.
 

 

Ógui
Especial para o Terra