Brasil é muito dependente de commodities

País deve aproveitar câmbio favorável e industrializar-se

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De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na primeira semana de fevereiro, as exportações brasileiras tiveram uma alta média de 3,8% em relação ao mesmo período de 2011 – chegando ao superávit de US$ 196 milhões. No comparativo, destaca-se o aumento de vendas de produtos manufaturados. Na opinião de especialistas, se o país fizesse maiores investimentos em infraestrutura e não dependesse tanto da venda das commodities, o saldo da balança comercial poderia ser sempre mais elevado, acarretando em um crescimento econômico e, consequentemente, desenvolvimento social.

Renato Ferreira, especialista em economia internacional, explica que os dados consolidados da balança comercial é que devem ser analisados e levados em consideração. E, por lá, os produtos que têm destaque e podem influenciar o resultado de maneira significativa são as commodities.

O especialista, porém, não descarta a importância que a venda de produtos com valor agregado teria na solidificação e crescimento financeiro no país. “Certamente, estamos falando de um avanço relevante na economia brasileira. Se o governo realmente empenhar-se em fazer os investimentos necessários, poderemos enxergar um Brasil muito mais evoluído a longo prazo”, afirma.

Especialistas divergem

Aglas Barrera, especialista em mercado financeiro internacional e professor da FECAP, conta que muitos dos países que obtiveram crescimento com exportação de produtos de baixo valor agregado, como é o caso do Brasil, ficaram atrasados em comparação aos países industrializados. Porém, ele afirma que, ao pensar no peso das commodities na pauta exportadora brasileira, não se pode ter a impressão de que os produtos não tenham nenhum valor agregado. “É preciso levar em consideração que existe toda uma cadeia de produção – principalmente de itens como frango, laranja e soja – que requer um grau significativo de sofisticação e tecnologia, que tem a ver, inclusive, com embalagem e transporte destes produtos”, aponta.

Com esta cadeia de produção, afirma Barrera, o Brasil tornou-se o principal exportador de commodities e este é um fator muito significativo. Para ele, o país não está correndo perigo, visto que, em sua opinião, tem buscado tecnologias e tirado proveito da desvalorização do dólar para atrair investimentos internacionais em infraestrutura.

Já Adriano Gomes, professor de finanças da ESPM, diz que esta é uma discussão secular. Ele acredita que o Brasil deve posicionar-se para vender produtos de maior valor agregado. “Nossa balança comercial fica muito vulnerável à oscilação de preços das commodities no mercado, fazendo com que fiquemos à mercê da sorte da influência de fatores externos e internos, como quebras de safra e aumento ou diminuição de demandas, além de possíveis crises financeiras pelo mundo”, conta.

Investimentos

Na visão de Barrera, o Brasil tem apresentado um bom desempenho na atividade financeira. E, atraindo capitais estrangeiros e know-how, pode aperfeiçoar sua pesquisa, mão de obra, conhecimentos e experiências para, de fato, investir na produção de produtos manufaturados. Porém, o especialista comenta que é preciso entender que este é um processo vagaroso e até burocrático. “Alguns segmentos já estão preparados para agregar valor ao seus produtos. O problema, ao meu ver, não é a qualidade da produção, pois o Brasil dispõe de tecnologias. O problema é político. Afinal, os países disputam mercados e têm interesses domésticos a atender”, ressalta.

Para Gomes, a burocracia se deve à falta de esforços, por parte do governo, em realizar uma reunião de pauta que discuta o que é, de fato, necessário fazer para que estas mudanças na industrialização brasileira possam acontecer. “É preciso reunir os principais líderes empresariais e entender se o fator necessário é crédito ou redução na carga tributária, por exemplo. Também deve-se analisar os benefícios que os incentivos podem trazer a longo prazo, o quanto isso vai custar a curto prazo e ir medindo para ver de que forma vale a pena. Porque, com certeza, vale”, afirma.

Ferreira concorda e conclui ao dizer que, a curto prazo, a balança comercial brasileira não sofre grandes riscos. Afinal, de acordo com ele, sempre haverá demanda por estes produtos. Mas, para o especialista, o Brasil não pode manter-se em uma posição cômoda e precisa passar a considerar que, assim como o mundo vai sempre comprar milho e soja, a demanda por automóveis, aço, combustível e muitos outros produtos será crescente.

“Ao vendermos produtos com valor agregado, não deixaremos de vender commodities, mas teremos um saldo da balança comercial mais positivo e teríamos um crescimento econômico maior, que faria com que criássemos mais empregos e melhor qualidade de vida. A industrialização necessária para que isso seja possível deve, enfim, ser colocada na pauta de prioridades do governo”, aponta.


Ógui
Especial para o Terra

 

Comentários

vanderlei diz:

06 de Maio de 2012 ás 15:10

Composição do custo Industrial – Mercado Interno 10% ou 20% para o Lucro 80% ou 90% para as despesas. O salário corresponde a 30% do total dos custos empresariais Os encargos trabalhistas correspondem a 15% dos custos empresariais PV com encargo trabalhista: 100: 100- 20% = 125 PV sem encargo trabalhista: 85: 100 -20% = 106,25 diferença de 18% ou PV com encargo trabalhista: 100: 100- 20% = 125 PV sem encargo trabalhista: 100: 85 -20% = 154 diferença de 23% A comercialização corresponde a 70% ou 100% do preço do Produto. O câmbio utilizado na exportação depende da política cambial. Tecnologia melhor e mais barata para competir. Um segundo exemplo: um mesmo carro é fabricado no Brasil e nos Estados Unidos, o valor do carro brasileiro é duas ou três vezes mais caro que o americano, não fica só nisso, o trabalhador americano ganha duas ou três vezes mais que o brasileiro.